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Dúvida Vida.

A ventura. A paz.

Qual delas ao vento urra mais?

 

Sóbrio, dá de beber ao ébrio.

Sábio, dá por fazer a sério.

 

Pai Kikiô, perdoa pois não conheço a mata.

Sou Paraná! Sou guerreiro! Mas de luta, não há nada.

Amo a honra mais que a vida. Hei de defendê-la.

 

Araci deu-me o luar, luz sem par. Ei-la.

 

Redime a indecisão, compreende meu sufoco.

São de corpo, atos vãos.

Um pouco louco.

Oco.

 

Estagnado, careço de direção.

Disponho: esforço e precisão. Ordena-me: siga.

Dita-me o caminho. Suplico-te, diga.

O que eu fiz? Por que fiz?

Fui feliz, mesmo no tédio. Tediosa felicidade!

 

Foram tempos de bonança e boa-vida. Sim, foram. Talvez seja por isto que me apegue àquela futura saudade do que ainda está por partir, de vez.

A nostalgia é uma caixa velha empoeirada de lembranças. Estas, que são uma vida que se foi, ou uma pessoa que partiu deixando uma nova. Não sou o mesmo de ontem, nem serei eu mesmo amanhã. NÃO! Vai contra meus princípios criativos, contra minha evolução.

 

Vai de contramão, contra mim.

 

Há sempre um muro de lamentações guardando uma nova estrada. Uma muralha com um portão gigantesco e amedrontador. Atravessá-lo é tão difícil que, encurralados por não voltar atrás, escalamos o muro na tentativa de permanecer do lado de cá. Ele é muito alto, muito. Mas sou forte, vou fazer tudo ficar como está. Vou me esforçar e vou… Despencar.

E, derrotado, não há escolha além de juntar forças e enfrentar a simples travessia de um velho portão. Que estrada haverá do outro lado?

– Sou guerreiro, ouso atravessá-lo! Pronto, está feito.

– Agora preciso de um mapa da estrada.

– Que estrada?

– Como? Não há estrada?

– Não. Há a selva, intocável.

 

Alguém aí já descobriu como se constrói um caminho sem mover pedra alguma?

Carro Céu.

Alma artística: complexidade martírica.

Eis, pois, qualquer nome dito. Depois.

 

E quanto ao agora? Este que se demora, preguiçoso.

Este mesmo, que nos desconsola, maldoso!

Não importa, o artístico é atemporal, apelativo, inovador, típico, imaginário e fluido.

Girando em torno do seu próprio eixo desbalanceado.

 

Questões que se misturam em espiral.

Espiral girante, daquelas que disfarçam seu sentido.

 

Achas mesmo que compreendes além do que se vê? Bem se vê!

Dou-te uma espiral girante, velocidade desconhecida. Diga-me o sentido!

Instrumentos? Nada, ou o toque de suas mãos.

 

O sorvete, a pulseira, o código genético, a broca perfuratriz.

Um turbilhão, redemoinhos, tufões, tornados sob teu nariz!

Campos de força eletromagnéticos, helicoidais não-consonantes…

 

A vida gira sem norte ou sul, mistura-se tênue ao éter.

Mistura-se em espiral, espacial. Uma mistura especial.

Homogênea.

Eternal.

– Diz, gosta?

– Desgosto.

– Gosta! Ria!

– O gosto, não gosto.

– Tão triste, o não-gosto…

– Só lhe digo o que posso.

– É gostoso, o vosso?

– Quê?!

– Vosso gosto… Será que gosto?

– E esse assunto, heim! Diz “gosto” e pronto, oras!

– Gosto do agridoce, o gosto que gosto… Instavelmente equilíbrado. Detestavelmente adorável. Sim, gosto.

– Gosto invejável.

– Agradeço. Saboroso elogio.

– Não tem de quê

– Hã? Não tem gosto de quê?

– …

Errante

Beco

Um velho gueto, um beco,

Um dedo na minha cara.

Eu não aguento,

invento e esqueço quem me ampara.

 

De porta em porta, no beco me perco.

Quem me achará?

Rua deserta: almejo e te vejo.

Tu me amarás?

 

E num aspecto triste, mágoas se vão.

O dia é negro.

Ouviste alguém dizer não?

 

No quadro-negro desenho um espelho, mas não me vejo.

Vejo o avesso do mundo, do medo. O avesso de mim.

O beco do avesso, o avesso do erro errando-me o peito.

O gueto no peito. No peito aceso o certeiro desejo.

O pobre no leito, e o lento deleite do azeite no seco.

O líquido quente correndo no veio, aberto e sem medo.

 

O grande encanto do canto, cantando vestindo seu manto.

Discordo do acorde que toco, trovando e errando onde ando.

 

Escondendo-se, não há luz do sol.

Lá sito, do rebuço me farto.


Raio Praia Huntington

Nuvens.

Gotas sentimentais que formam delicada teia.

Forte e veloz, ou apenas fugaz?

 

Sua tristeza não se sanará reunindo-se rancores.

Precipitará, desabará dos céus.

 

Desaguar-se-ão pequenas lágrimas,

Ânimas a arrastar-se velozmente no chão.

 

Desesperadas, intentam saltar do mar à imensidão.

Frágeis poetas no azul do céu, voando alto.

 

Entre os gritos trovoares e eletrizantes relâmpagos

A tênue nuvem gotejará seu lamento.

 

Gotas em exagero enegrecendo o céu, apagando o azul.

Desabam-se clareando a alma, criando a lama.

Lamentos.

Meus.

Carioca à beira-mar.

Disse-me: vamos, que se faça!

Seu desejo, que me enlaça, encoraja-me a escrever.

 

Sobre quê? Sobrescrever?

Pois não, sobr’ela. Você.

 

Eis a musa a inspirar o poeta:

Carioca, corpo em festa.

Tem no bronze a sua cor.

Teu sorriso: sei de cor cada traço.

Riso sincero ou de embaraço, tuas linhas não me fogem.

 

Sua mente? Esta sim é para mim um dissabor.

Um enigma de Nemeia, uma vertigem.

 

Acolho-a sob os ramos cheirosos de alecrim, manjericão e jasmim.

Ela consigo, mesmo assim, traz o aroma do mar.

Nele se fez, curtida em mar.

O mar no ar. O ar do mar.

 

Sinuosidades, curvas oblíquas: nuances mil à luz do sol.

Ainda mais obtusa em pensamentos – personagens, agem ocultos.

Uma bela composição psíquica. Hipnotizante delícia.

Patrícia.

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